Um bom texto deve ter consistência. Um texto consistente é um texto coerente. Um texto coerente deve também ser coeso. Um texto coeso é aquele que...Cala-te, boca! Mas como eu falo!
Tá bom, vamos ficar apenas no coerente, por hoje.
No nosso dia a dia fazemos uso de diversos tipos de textos, ou gêneros textuais. Vejamos alguns tipos de gênero textual.
Carta, bula de remédio, manual técnico, seção de esporte do jornal,contos, crônicas, poesia, resenhas, romance, biografia,monografia, dissertação, e vai por aí.
O primeiro passo para haver coerência textual é a utilização correta de um gênero ou a combinação adequada de gêneros, em um mesmo texto. Alguém já ouviu falar em prosa poética, certo?Ou então, um texto narrativo também pode ser descritivo e um bom exemplo disso é o romance o Guarani. O início dessa narrativa de Alencar é totalmente descritiva.
A carta, por exemplo, pertence ao gênero epistolar. Mas...há cartas e cartas. Se estivermos lendo as cartas do apóstolo Paulo, foram escritas com o objetivo de aconselhar, exortar, dar instruções religiosas. Já uma carta comercial procura convencer, persuadir,comunicar ou informar. Uma carta de amor vai usar uma linguagem totalmente poética.
Apesar disso, existem autores que usam a carta como veículo para contar sua história.
Há um conto do autor Dalton Trevisan muito bom, no qual ele narra uma história com começo, meio e fim, apenas usando o gênero epistolar. O nome do conto é “Ismênia, moça donzela”. São nove cartas, dirigidas a um personagem chamado Antonio. Antonio não aparece no conto nenhuma vez, a não ser por intermédio das cartas de Ismênia. Ficamos assim, apenas com a visão da Ismênia, em todo o desenrolar do conto. Não saberemos nunca se Antonio ao menos leu as cartas. Isso o autor não nos conta. Mas ficamos sabendo de toda a vida da Ismênia, pela leitura das nove cartas que compõem o conto. Temos um corpo de texto bem coeso. Lá estão presentes todos os requisitos para se escrever um bom conto: o início da trama, o ápice, quando a tensão atinge o ponto mais alto, e o desfecho.
Dalton Trevisan é um mestre do estilo narrativo enxuto. Ele corta ao máximo os seus textos. Deixa só o crème de la crème.
To be continued...
* * * Escrito por Ignoto Jardim
